Poucas áreas da existência humana revelam de forma tão intensa aquilo que somos quanto os relacionamentos. É no encontro com o outro que aparecem nossas expectativas, carências, virtudes, medos, impulsos, feridas e convicções. O namoro, o noivado, o casamento e a sexualidade não pertencem apenas ao campo dos sentimentos. Eles envolvem identidade, espiritualidade, responsabilidade, corpo, vocação e aliança. Por isso, não podem ser conduzidos apenas por desejos pessoais, tendências culturais ou experiências isoladas. Precisam ser examinados à luz da revelação de Deus.
A cultura contemporânea oferece respostas rápidas para questões profundas. O amor é frequentemente reduzido à intensidade emocional; a liberdade é confundida com ausência de limites; o corpo é tratado como propriedade autônoma; o compromisso é mantido somente enquanto produz satisfação; e a sexualidade é apresentada como instrumento de autoexpressão desvinculado de qualquer propósito moral. Nesse ambiente, decisões que afetam toda a vida são tomadas com base no impulso do momento. O resultado é uma geração que fala muito sobre amor, mas encontra dificuldade para permanecer; deseja intimidade, mas teme a aliança; busca prazer, mas frequentemente colhe culpa, vazio e fragmentação.
A Bíblia começa de modo diferente. Antes de apresentar regras sobre comportamento, ela revela quem Deus é, quem o ser humano é e para que foi criado. O homem e a mulher foram formados à imagem de Deus, chamados a viver diante dEle e a refletir Seu caráter no mundo (Gênesis 1:26-28). A relação entre ambos aparece no projeto original da criação, não como resultado de uma convenção social, mas como parte da sabedoria do Criador. Quando Deus declara que não é bom que o homem esteja só (Gênesis 2:18), Ele não legitima qualquer forma de vínculo. Ele estabelece uma comunhão marcada por correspondência, responsabilidade, unidade e propósito.
